Para as mulheres, impeachment é como um roubo

0

Participantes da 4ª Conferência de Políticas para Mulheres saíram em marcha para acompanhar votação do golpe no Senado

Ainda era dia quando as mais de três mil pessoas que participavam da 4º Conferência de Políticas para as Mulheres deixaram o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, rumo ao Senado, onde estão agora, para acompanhar de perto mais um ato do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

Nesta quarta-feira (11), logo no início, a marcha contou com o reforço de homens e mulheres de organizações que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e que estavam acampados ao lado do estádio Mané Garrincha.

Enquanto, por um lado, o cenário político dá pouca margem à esperança de continuidade de uma presidenta legitimamente eleita, sem crime a pagar e que pode ser substituída por um vice ficha-suja, por outro, a certeza é de que o início da resistência já começou, conforme destacou a secretária nacional de Mulheres da CUT.

“O sentimento dentro da conferência desde ontem, antes de começar, na abertura com fala de Dilma e das representantes das mulheres lésbicas, da floresta, negras, é o sentimento de roubo, como se algo fosse subtraído de nós. Mas não vão fazer com que recuemos. As mulheres vão sonhar ainda mais e vão à frente para disputar cargos de poder agora. Somos guerreiras e vamos nos manter firmes nesta disputa.”

Novas frentes

A julgar pela marcha composta em grande parte por jovens, a luta tem potencial para garantir bons quadros, como comprovaram a delegada pelo Movimento Brasileiro de Mulheres, Jaqueline, e a professora Ceniriani Silva.

Grávida de seis meses de Olga, filha que homenageará a militante comunista Olga Benário, Jaqueline acredita que as políticas para as mulheres têm relação direta com o modelo de governo e, por isso, defender a democracia é defender a continuidade dos avanços.

“Não vai haver prosseguimento nas políticas se esse impeachment der certo, porque, talvez, nem a Secretaria de Políticas para Mulheres continue. Preciso lutar para garantir que minha filha possa ter a liberdade democrática que tenho e direitos que vieram nos governos Lula e Dilma, como o acesso à universidade e um modelo de saúde voltado para nós. Sem democracia isso não seria possível”, acredita.

Com a filha Tainá de um ano no colo, a segunda a participar de uma conferência, Ceniriani, gaúcha de Porto Alegre, aponta os prejuízos que o avanço conservador deve trazer para as políticas habitacionais.

“Para nós, como movimento, é momento de aprofundar a luta de classes, como está definido. É o povo contra uma elite que não aceita perder seus privilégios. Tivemos avanços em muitas áreas, na política habitacional, então, é inegável com o Minha Casa Minha Vida e outras ações que fizeram a diferença para os mais pobres. E hoje é dia de as mulheres mostrarem de qual lado estão.”

Reacionários irão se fortalecer – Integrante da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo e parte da Marcha Mundial de Mulheres, Amanda Côrrea, cabelos raspados e alargadores, acredita que frentes conservadoras tentarão atropelar qualquer sinal de luta pela igualdade e respeito à diferença. Mas, segundo ela, não encontrarão caminho fácil.

“Agora virão mudanças de verdades nas políticas, muita coisa pode ser cortada e isso será problema. Só que esse golpe ter um forte caráter sexista vai fazer com que as mulheres se unam ainda mais para lutar. “

Deixe uma resposta