Trabalhadores se unem em ato contra a privatização do setor elétrico, dia 12

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Desde 2013, a Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) cogita vender o controle acionário de suas distribuidoras como medida para reduzir custos e organizar o caixa. De lá para cá, uma delas, a Celg, de Goiás, já recebeu o aval para ser privatizada. Sindicatos do setor elétrico ligados à CUT vêm realizando uma série de ações contra a entrega da empresa ao capital privado e, no dia 12 de janeiro, realizarão nova manifestação, em Brasília. O ato será realizado em frente ao Palácio do Planalto, a partir das 9h.

Os manifestantes também tentarão entregar à presidenta Dilma Rousseff uma carta em defesa da democracia e da soberania do setor energético. O documento é assinado não só por eletricitários, mas pelo conjunto dos movimentos sindical e social, que abrange entidades como a CUT e organizações como a Frente Brasil Popular.

A escolha do local do ato do dia 12 reflete a insatisfação dos trabalhadores eletricitários e de outros setores com a iniciativa de privatização adotada pelo governo federal.

“Estamos perplexos com essa atitude governo federal. No dia 16 de dezembro, juntamos milhares de pessoas nas ruas para defendermos a democracia e dizermos que somos contra o golpe. E no dia 28 do mesmo mês tivemos que ir a Brasília para exigir que seja enterrada de uma vez por todas a ideia do governo federal privatizar o setor elétrico. É difícil evitarmos o golpe tendo que fazer ações contra privatizações promovidas pelo próprio governo”, declara o presidente da CUT-GO, Mauro Rubem.

Em manifesto publicado nessa segunda-feira (4), assinado por 35 entidades do movimento sindical de vários estados do Brasil, foi afirmado que “os trabalhadores não podem aceitar que o governo Dilma, na tentativa de agradar o ‘mercado’, tente impor aos trabalhadores (as) e à sociedade brasileira uma agenda conservadora, com a retomada da privatização de alguns setores, como é o caso do setor elétrico”.

Segundo o dirigente do Stiu-EG, sindicato que representa os trabalhadores eletricitários do estado de Goiás, Heliomar Palhares Pedrosa, o ato agendado para o próximo dia 12 tem como objetivo pressionar o governo a “trilhar um caminho contrário ao que foi traçado até agora no setor elétrico”, o que não será possível com a privatização.

“Hoje, a energia elétrica está sendo tratada como mercadoria. Logo, o objetivo é o lucro. No nosso modelo, a energia elétrica deve ser completamente estatizada e ter como objetivo não o lucro, mas a promoção do desenvolvimento do país”, explica o dirigente sindical.

Pedrosa ainda afirma que um dos pontos centrais do ato agendado para o dia 12 de janeiro em Brasília será o repúdio à privatização da Celg. A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária dos acionistas da Eletrobras, no último dia 28 de dezembro. No mesmo dia, trabalhadores do setor elétrico de vários estados do país, além da CUT e entidades do movimento social, realizaram ato contra a privatização da distribuidora, em frente à sede da Eletrobras em Brasília.

O preço da privatização

A estatal Eletrobras estima que suas distribuidoras de energia elétrica que atendem Piauí, Alagoas, Acre, Rondônia, Roraima, Goiás e Amazonas precisarão de uma capitalização de R$ 3,3 bilhões em 2016 para atender metas estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica – o Aneel e não perder a concessão.

Para o presidente da CUT-GO, Mauro Rubem, “as distribuidoras de energia elétrica são rentáveis, o problema é que o lucro que deveria ser investido em melhorias para a própria empresa é usado em outros lugares”. “No caso da Celg, ela patrocinou corrida de carro nos Estados Unidos. Uma coisa absurda!”, denuncia o presidente cutista.

Para o Stiu-DF, sindicato que representa os trabalhadores eletricitários do DF, a estratégia adotada pelo governo federal para solucionar o problema das distribuidoras de energia elétrica é equivocada e trará uma série de prejuízos aos trabalhadores e ao Brasil. “As distribuidoras de energia elétrica do sistema Eletrobras são fundamentais para o desenvolvimento regional. Se forem entregues à iniciativa privada, o resultado, com certeza, será o desemprego, as tarifas elevadas à sociedade, o aprofundamento da terceirização, além da redução da qualidade dos serviços”, explica o dirigente do Stiu-DF, Sidney Lucena. O Sindicato, filiado à CUT Brasília, também integrará o ato do dia 12.

Proposta ao modelo privatista

Como medida paliativa aos problemas instalados nas distribuidoras de energia elétrica do sistema Eletrobras, o movimento sindical aponta a criação de uma Holding de Distribuição de Energia, vinculada diretamente ao Ministério de Minas e Energia. A proposta é explicitada no manifesto lançado por entidades do movimento sindical nessa segunda-feira (4).

Holding é uma sociedade gestora de participações sociais que administra conglomerados de um determinado grupo. “Com essa Holding de Distribuição de Energia seria possível unificar todas as distribuidoras de energia elétrica do sistema Eletrobras, com a possibilidade de melhor fiscalização de recursos e da realização da missão dessas empresas, que é cumprir o papel estatal. Além disso, se uma distribuidora lucra e outra tem déficit, seria possível organizar a verba para balancear os caixas”, explica o presidente da CUT de Goiás, Mauro Rubem.

No segmento de distribuição, segundo a própria Eletrobras, a estatal cobre uma área correspondente a 31% do território brasileiro, distribuindo energia elétrica a mais de 6,6 milhões de consumidores. Atualmente, participam do sistema Eletrobras a Companhia Energética do Piaui (Cepisa), a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), a Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), as Centrais Elétricas de Rondônia S.A (Ceron), a Boa Vista Energia S.A e a Amazonas Distribuidora de Energia S.A., além da Celg, de Goiás.

Dinheiro público no bolso de empresários

Com a privatização da Celg, aprovada no dia 28 de dezembro, a Eletrobras – que é dona de 51% das ações da distribuidora de energia elétrica de Goiás – poderá vender os ativos da empresa por meio de leilão, que será promovido pela BM&FBovespa e deve acontecer no final de janeiro de 2016. Em junho deste ano, a Assembleia Legislativa de Goiás já havia autorizado a venda dos outros 49% das ações da empresa, que são do estado goiano.

A parte da Eletrobras na Celg foi fixada em R$ 1,403 bilhão e o preço mínimo total da empresa ficará em R$ 2,750 bilhões. O valor definido ficou bem abaixo dos R$ 6 bilhões estimados quando iniciaram as especulações sobre o processo de privatização da empresa.

Em audiência sobre o tema das privatizações das distribuidoras de energia, representante dos trabalhadores da Celg afirmou que, por ano, o faturamento anual da empresa é de mais de R$ 8 bi.

Fonte: http://www.cutbrasilia.org.br/

Autor : CUT BRASÍLIA | Fonte : CUT BRASÍLIA

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