O desmonte e a retalhação progressiva da Eletrobras

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O presidente da Eletrobras, Wilson Pinto, escolheu destruir a maior empresa do setor elétrico na América Latina. Para dar andamento ao projeto do governo e minimizar a atuação do estado em setores estratégicos como o elétrico, o desmonte das estatais corre a passos largos.

Em entrevista à rádio CBN, Wilson Pinto disse que reduzirá o quadro próprio da empresa de 24 mil para 12 mil trabalhadores. O sistema Eletrobras já perdeu nove mil profissionais nos últimos sete anos, o que prejudicou diversos procedimentos nas empresas. Mais essa redução implicará drasticamente na prestação do serviço de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica aos pequenos e grandes consumidores.

O setor elétrico é um dos que mais acidenta e mata no local de trabalho e, para satisfazer o interesse privado sobre a questão pública, como consequência do encolhimento no quadro de pessoal é certo que a pressão por resultados, a exploração e a precarização das condições laborais abrirão ainda mais as portas para acidentes e doenças físicas e psíquicas.

O corte não se restringe ao quadro de trabalhadores, a Eletrobras será retalhada em partes que garantam o lucro para a futura empresa gestora. O objetivo é, primeiro, entregar as seis distribuidoras controladas pela holding à iniciativa privada por preços irrisórios, como o caso da Celpa, vendida para a Equatorial Energia por apenas 1 real. E nas quais, a relação de trabalhadores do quadro e terceirizados chega a 1/6 (um sexto).

De acordo com a Eletrobras, a venda se dará já no primeiro trimestre de 2018. As geradoras e transmissoras ficam para a segunda sessão de retalhamento do setor elétrico estatal.

O presidente da Eletrobras argumenta que o corte de pessoal vai trazer uma economia de até 40% na folha de pagamento. No entanto, desde que assumiu a presidência da companhia em julho do ano passado, diversos contratos foram feitos com outras empresas, utilizando a dispensa de licitação em alguns casos. Os trabalhos contratados já são realizados pela categoria, mas é uma opção deixar os eletricitários e eletricitárias fora dos processos no intuito de criar um falso discurso que não há demanda para todos os profissionais.

A Eletrobras contratou em outubro passado a Roland Berger Strategy Consultants Ltda. para a prestação de serviços de Consultoria e Assessoramento para Estruturação e Apoio na Implantação do Centro de Serviços Financeiros e Compartilhados – CSFC. O contrato com o prazo de execução de 10 meses custou mais de nove milhões. No mês de julho deste ano, foi efetivada nova contratação da mesma consultoria com prazo de execução de nove meses, os dois contratos custarão 18 milhões aos cofres da Eletrobras. Já que era para contratar, porque não abrir a concorrência, já que existem outras consultorias?

Mais recentemente, Wilson Pinto contratou uma assessoria de comunicação para prestar serviços de comunicação por oito meses ao custo de dois milhões de reais. Ou seja, para o lado do trabalhador racionamento e do outro abre a torneira.

Fonte: Site Energia Não é Mercadoria

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