Contrariando a categoria e o interesse público, acionistas da Eletrobras decidem privatizar a Celg

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Um grande ato contra a privatização. Foi o que fizeram os trabalhadores e trabalhadoras do setor elétrico de vários estados do País em frente à sede da Eletrobras em Brasília nesta segunda-feira (28). Movimentos sociais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também participaram do protesto.

Mesmo com a forte mobilização e muitas críticas do movimento sindical e social, a assembleia geral extraordinária dos acionistas da Eletrobras decidiu aprovar a venda da Celg, empresa de distribuição de energia de Goiás.

A decisão foi tomada no apagar das luzes de 2015, contrariando e frustrando a categoria eletricitária goiana, assim como os trabalhadores de outros estados que também lutavam contra a privatização da empresa. Na avaliação de todos os dirigentes sindicais, a venda da Celg representará grande prejuízo para a categoria, para a sociedade e também para a própria Eletrobras.

A sociedade será prejudicada com aumentos abusivos na tarifa, uma vez que a empresa privada que arrematar o leilão terá preocupação exclusiva com o lucro. Além disso, o serviço prestado à população deverá ser de péssima qualidade, a exemplo das cidades que tiveram as distribuidoras de energia privatizadas.

A categoria deve ser atingida com demissões e com a precarização do trabalho, uma vez que trabalhadores com qualificação profissional inferior deverão ser contratados para baratear os custos da empresa que ganhar o leilão. Em função disso, deve aumentar o número de mortes no setor, que já tem índices muito elevados de óbitos. Para cada cinco trabalhadores que morrem, quatro são terceirizados.

Os sindicalistas ficaram transtornados com a decisão de vender a Celg e criticaram o governo federal. Disseram que essa atitude foi um golpe contra a categoria eletricitária, uma vez que a presidente Dilma prometeu na campanha não privatizar empresas públicas e se igualar aos governos tucanos. “Passamos 2015 defendendo a democracia e lutando contra o golpe. Mas agora estamos diante de um golpe contra nós mesmos”, desabafaram.

Com essa decisão tomada hoje, a Eletrobras – que é dona de 51% das ações da Celg – poderá vender os ativos da empresa por meio de leilão, que será promovido pela BM&FBovespa e deve acontecer no final de janeiro de 2016. Em junho deste ano, a assembleia legislativa de Goiás já havia autorizado a venda de 49% das ações da empresa.

A parte da Eletrobras na Celg foi fixada em R$ 1,403 bilhão e o preço mínimo total da empresa ficará em R$ 2,750 bilhões. O valor definido ficou bem abaixo dos R$ 6 bilhões estimados quando iniciaram as especulações sobre o processo de privatização da empresa.

Em 2012, o governo goiano tinha uma dívida de R$ 6,4 bilhões com o governo federal, sendo R$ 2,4 bi com a Eletrobras. Por isso 51% das ações deixaram de ser da Celg. No acordo ainda estava previsto que a Eletrobras investisse entre R$ 800 milhões e R$ 1 bi para a construção de 37 subestações.

Segundo o resumo da reunião dos acionistas divulgado no fim da reunião, a repactuação da dívida da Celg referente à conta de Itaipu será convertida de dólar para real. A Aneel será a responsável por fazer o acordo. A dívida será corrigida pela taxa Selic e a empresa que arrematar o leilão poderá pagar o débito em até 120 meses.

A deliberação sobre a venda das ações das distribuidoras do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Piauí e Alagoas foi suspensa e não tem data para voltar a ser discutida.

Os detalhes de cada voto proferido na assembléia geral dos acionistas serão divulgados pela Eletrobras em até sete dias.

Autor : Urbanitários DF | Fonte : Urbanitários DF

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